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Nova filosofia de vida

Já assistiram “Sim senhor”? O filme trata de um homem (Jim Carrey) ranzinza que muda completamente a sua vida após começar a dizer “sim!” para tudo, para tudo mesmo. No mundo do cinema funciona muito bem, ele até arruma uma tchutchuquinha com essa técnica.

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O período de retiro que experimentei nos últimos dias me fez pensar sobre isso. Claro que jamais diria “sim!” para tudo, ia ser sacaneado demais. Imaginem só, puts!

Assim sendo, desenvolvi uma nova filosofia de vida, a qual passarei a adotar daqui em diante. Apresento-lhes o “foda-se!”.

É algo muito simples: consiste o “foda-se!” em dizer “foda-se!” para tudo.

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Confesso que não é lá muito original, há registros de seres humanos que aplicam o “foda-se!” desde os mais antigos tempos. O ato de “cagar e andar” vem das cavernas, creio eu.

Aplicando o “foda-se!” de forma correta você pode obter resultados fantásticos, sua vida se transformará para sempre. Vejam só alguns exemplos práticos.

  • Você tem uma prova amanhã e não estudou o bastante? Foda-se! Vá para alguma festa, beba um bocado e faça a prova de ressaca. As chances de você conseguir uma nota alta são muito boas.
  • Seu namoro está em um período de dificuldades? Foda-se! Chute o pau da barraca. Se o(a) companheiro(a) realmente gostar de você, certamente pedirá para você voltar.
  • Tá cheio de trabalho pra fazer? Foda-se! Organize uma putaria e chame os colegas de trabalhar pra beber, inclua o chefe nessa baderna.

Sacaram o princípio da coisa? É muito simples, meu povo.

Aquele papo de só dar valor a algo quando o mesmo se perde é a mais pura verdade. Porém, não pensamos no tempo e na vida que deixamos escorrer pelo ralo dia após dia. Isso sim é uma perda! Para isso é que precisamos dar valor!

Assim sendo, não deixe passar uma oportunidade para se divertir e viver bons momentos. Essas coisas não tem preço, mas tem um valor muito alto.

Dossiê ODESSA

A Segunda Guerra Mundial é sempre um prato cheio para as conversas de mesa de bar. Basta você se interessar um pouquinho para ter assunto pro resto da vida! Uma estória boa de ser contada (e que poucos conhecem) é aquela sobre a organização ODESSA.

Não estou falando das cidades de Odessa espalhadas pelo mundo (Ucrânia, NY, etc.), ok?

ODESSA é uma sigla que significa Organisation der ehemaligen SS-Angehörigen, ou seja, Organização dos Antigos Membros da SS (Schutzstaffel, organização paramilitar que se desenvolveu sob o comando do Himmler e absourve diversas funções durante o III Reich). Trata-se, assim, de um grupo criado (diz-se que por Otto Skorzeny) após o término da II Guerra Mundial para dar apoio à fuga dos líderes nazistas.

Símbolo da SS

Símbolo da SS

Há um termo estrangeiro bastante interessante para tratar desse tema: ratlines. Em bom português traduz-se por “linhas de ratos” ou “caminhos de ratos”, o que permite ao leitor compreender a razão de seu emprego.

Todavia, a ODESSA, além do suporte que prestava aos fugitivos (conseguindo passagens, dinheiro, passaportes, empregos etc.), também envolveu-se em planos mais ambiciosos.

Tais aspirações são bem retratadas pelo filme “O Dossiê Odessa”, de 1974, com Jon Voight no papel principal. Como não li o livro homônimo que o inspirou (de Frederick Forsyth), minhas opiniões se basearão na película, ok?

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Permitam-me transcrever a sinopse lá da Wikipedia:

  • A história começa em 22 de novembro de 1963, o dia em que o presidente John F. Kennedy foi assassinado. Peter Miller, um repórter alemão, segue uma ambulância e descobre que ela levava o corpo de um judeu, sobrevivente do holocausto, que supostamente cometera suicídio. Lendo o diário do morto, Miller fica sabendo detalhes dos campos de concentração, e do comandante da SS Eduard Roschmann. Seguindo a trilha de Roschmann, Miller descobre a organização secreta ODESSA.

Resumindo e acrescentando: os caras estavam de conluio com os egípcios para destruir o Estado de Israel. Seriam entregues, portanto, mísseis teleguiados contendo as mais diversas doenças (peste negra, varíola, gripes violentas etc.), cujo alvo era justamente o país do judeus. É mole?

Deixando de lado os debates históricos acerca da existência de tal ajuste, o certo é que se trata de uma boa estória, né? Mais uma das tantas que povoam a II Guerra Mundial.

  • Para saber mais:

Ratlines – Wikipedia

SS – Schutzstaffel

The Odessa File

“O Dossiê Odessa”

John Rambo e o ideário macartista.

Sábado passado eu tive o prazer de assistir novamente “Rambo III”. Apesar de o terceiro espisódio da saga ser bastante criticado pelos fãs, parece-me incrivelmente rico em detalhes históricos e culturais, um prato cheio para quem, como eu, gosta de falar asneiras e parecer inteligente.

Este é do bem!

Este é do bem!

O filme, para quem não se recorda, é ambientado no Afeganistão invadido pela União Soviética dos anos 80. Rambo se vê forçado a deixar o retiro espiritual no qual havia se iniciado (num mosteiro budista!) para resgatar o Coronel Trautman, seu mentor de velhos tempos, capturado pelos soviéticos.

É interessante observar como a película desenha o soldado russo de forma caricata, sempre ostentando uma carranca com a barba por fazer, resmungando coisas incompreensíveis e indiscutivelmente mau.

Algo que me causou estranheza foi o fato de ele ter sido lançado em 1988, ou seja, período no qual a Guerra Fria já não gerava mais tanta animosidade, vez que a URSS encaminhava-se lenta e gradualmente para a transição do comunismo para o capitalismo. Basta lembrarmos que um ano mais tarde cairia o Muro de Berlim e em 1991 viria por terra a própria União Soviética.

Esse posicionamento cronológico em nada condiz com o que se apresenta no roteiro, que ao invés de abrandar a perseguição aos vermelhos, como o mundo inteiro já fazia, é incontinenti ao atacar os russos, seus métodos de guerra e seu sovietic way of life. O pior é que nem nos outros dois filmes da série há tamanha caçada!

De imediato me recordei de McCarthy. De seu sobrenome deriva a expressão que consta no título deste texto (macartismo). Trata-se, como aqueles que estudaram pro vestibular devem se lembrar, de um período sombrio na história ianque (mais um, em verdade). Lá pelos idos da década de 1950, quando o comunismo crescia fervorosamente pelo leste da Europa e Ásia, os EUA promoveu intensa perseguição aos supostos comunistas que faziam-se presentes por lá.

Isso é do mal!

Isso é do mal!

Assim sendo, milhares de americanos viram-se espionados e investigados pelo governo, tudo com o fito de espantar a praga vermelha que rondava as terras do Tio Sam. Muitos direitos civis (e também humanos) foram desrespeitados, além de os investigados terem de carregar a chaga do comunismo, fazendo com que perdessem empregos, famílias e até vidas.

Um dos grandes sustentáculos do macartismo (talvez o maior) era a publicidade anticomunista. Era fundamental para o prosseguimento das discutíveis medidas que não houvessem discussões! Destarte, o público era bombardeado por tendenciosas mensagens cujo escopo era unica e exclusivamente denegrir a imagem dos soviéticos.

Não é por outra razão que os filmes produzidos durante a Guerra Fria seguem o paradigma “americano bom, soviético mau”. Em verdade, tal deturpada maneira de se pensar perdura até hoje. Peça para que alguém descreva para você um soldado russo e um americano, é certo que algum traço de sadismo brotará na primeira descrição.

O pobre do Rambo, que nada tem a ver com isso, aliou-se aos afegãos (que na época eram do bem) e detonou uma base russa usando dez cargas de C-4, uma metralhadora empenada, duas facas e seu arco mágico. Os russos, claro, morreram todos de forma dolorosa, lavando a alma dos sofridos e ultrajados rebeldes.

Viva!

O voo da fênix

Ontem eu vi novamente um filme que considero relativamente bom. Chama-se “O vôo da fênix” (2003), ou como preferem os reformistas, “O voo da fênix”. O nome pouco importa, o que interessa nele é a trama contada.

Lá estão os caras, numa base de exploração de petróleo (ou gás, sei lá) no meio do deserto de Gobi, nos confins da Mongólia. Pegam um avião altamente propenso a cair, enchem de tralhas e partem num vôo super sem noção sobre o deserto rumo a não sei onde.

De repente, uma tempesta de areia com raios e o caralho a quatro os pega de surpresa. Ao invés de voltar e perder umas horas, o piloto resolve que é melhor ir em frente e encarar. Resultado? Merda, claro.

Pois bem, eles caem no meio do nada, como já era de se esperar. Na queda morre um ator secundário, totalmente dispensável para a trama.

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A melhor parte vem agora!

Os caras se deparam com uns contrabandistas mongóis (literalmente) que hostentam fuzis AK-47 e cavalos puro-sangue, com tempestades de areia (outras), chuvas, raios, falta de comida, água, paciência e mulher (só tinha uma MILF pra uns 10 caras, sem condições).

Daí, de repente, mais que de repente, surge um membro da tripulação que diz “ei, eu projeto aviões, vamos construir um com os restos desse aqui?” e pluft! Os passageiros, todos fodas na arte da construção, pegam as ferramentas que por sorte traziam na aeronave e metem a cara no projeto do doidinho.

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Enfim, a moral é a seguinte:

Quando for voar sobre um deserto, certifique-se de levar consigo muitas ferramentas pesadas, canos e outras peças de metal, trabalhadores braçais treinados (inclusive um cozinheiro, pasmem!) e um projetista-chefe de aviões, ok?

Ah, não esqueça de levar também um avião bimotor de lata!